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Jadna C. de Sousa Lodetti

Conselho Regional: 12/02599

Psicologia

QUANDO O MAU HUMOR PASSA A SER DOENÇA

São comuns as queixas de pessoas mal humoradas. Não fosse apenas desagradável, o problema pode ser uma doença que tem nome: distimia. Trata-se de um estado depressivo crônico, um transtorno persistente do humor. É normalmente atípico e é perceptível através do mau humor,  desânimo, irritabilidade. Além disso, quem sofre de distimia mostra outros sintomas, como isolamento social,  alterações do apetite, do sono e fadiga.

Os portadores do transtorno são pessoas de difícil relacionamento, com baixa autoestima e elevado senso de autocrítica. Estão sempre reclamando de tudo e só enxergam o lado negativo das coisas. Na maior parte das vezes, tudo fica por conta de sua personalidade e temperamento complicado. É frequente que tanto os próprios indivíduos quanto seus familiares não percebam a existência de um transtorno e afirmem, veementemente, que esse é o ‘jeito de ser’ da pessoa”. 

O dado mais importante a considerar para o diagnóstico da doença é a manifestação dos sintomas durante pelo menos dois anos consecutivos.


Posso afirmar que toda pessoa mal humorada tem distimia?


NÃO. Existe uma diferença básica entre os dois. O mal humorado tem uma resposta pontual a algo que lhe desagrada ou desagradou. Ele não está sempre mal humorado ou pessimista e sabe diferenciar seu padrão normal de humor. Com o portador de distimia é diferente. Ele se sentiu irritado e mal humorado por toda a sua vida, sendo difícil estabelecer outro padrão de normalidade. Não conhece outro estado de humor, uma vez que sempre foi daquele jeito.

Para a terapia cognitiva-comportamental, a distimia ocorre por uma série de pensamentos e crenças distorcidas, ou seja, uma avaliação disfuncional da realidade (de si, dos outros e do mundo), que colaboram para o indivíduo interpretar o ambiente que vive. “Tais interpretações e ações são como se as coisas estivessem piores do que realmente estão. Isso mantém e fortalece pensamentos e crenças disfuncionais que geram emoções cada vez mais negativas, como um verdadeiro ciclo vicioso de depressão”,


Pessoas com diagnóstico de distimia tendem à ter:


1) Visão negativa de si mesmo. Ex.: “eu não sou capaz”, “eu sou chato”

2) Visão negativa do mundo em relações, trabalho e atividades de forma geral. Ex.: “as pessoas não gostam de mim de verdade”; “as pessoas me acham mal humorado”.

3) Visão negativa do futuro. Ex.: “eu sempre serei deprimido assim”.


“O fato é que essas três formas de interpretação corroboram para que o indivíduo passe a agir de forma negativa: deixar de sair com amigos, não responder a uma mensagem, ser grosseiro quando alguém pergunta porque sumiu… E isso gera resultados desfavoráveis para ele mesmo, mantendo-o novamente no ciclo vicioso da depressão. Assim, sua interpretação é mantida pela nova interpretação adquirida, reforçando seus sentimentos de desesperança e tristeza”.


A distimia tem mostrado tratamento eficaz com psicoterapia e antidepressivos.

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