Dismenorreia: diagnóstico e terapêutica

Dismenorreia: diagnóstico e terapêutica

Compartilhe:

O termo é usado como sinônimo de dor pélvica associada ao período menstrual. É uma das queixas ginecológicas mais frequentes em todo o mundo, afetando a qualidade de vida de muitas mulheres, embora ainda subvalorizada. Tem uma prevalência estimada de até 95% considerando tanto adolescentes quanto mulheres na vida adulta. A dismenorreia primária ocorre na ausência de doença pélvica detectável, o quadro inicia-se ainda na adolescência, meses após a menarca, coincidindo com o início dos ciclos ovulatórios. Caracterizada por dor tipo cólica, localizada nos quadrantes inferiores do abdome, inicia ao mesmo tempo ou logo após o início do sangramento, perdura por 48 a 72 horas e em geral apresenta alívio ou cessa com o uso de analgésicos comuns. A dor não é progressiva, mantendo-se estável ou diminuindo de intensidade com o passar dos anos. A dismenorreia secundária está associada a doenças pélvicas e de início mais tardio.

Diagnóstico:

a dismenorreia primária é um diagnóstico de exclusão. A anamnese associada ao exame físico ginecológico é a principal ferramenta para direcionar a propedêutica. Os exames complementares devem ser realizados quando há suspeita de dismenorreia secundária. O exame de primeira escolha é a ultrassonografia pélvica via transvaginal ou abdominal. A ressonância nuclear magnética pode ser útil nos casos em que for necessário complementar a ultrassonografia, principalmente se o exame via transvaginal não foi possível, e nos casos de malformações complexas.

Tratamento da dismenorreia primária:

Medidas gerais: apoio emocional; dieta balanceada e particularmente rica em ômega-3; prática de exercícios físicos; cessação do tabagismo e acupuntura. Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs): são medicamentos de primeira escolha. Devem ser iniciados um a dois dias antes do fluxo menstrual e mantido por dois a três dias ou até o término do fluxo (máximo de cinco dias). O ácido mefenâmico pode ser usado em casos de falha, além de inibir a síntese de prostaglandinas, bloqueia a ação das prostaglandinas já liberadas. O tratamento deve ser mantido por pelo menos três ciclos menstruais antes de se admitir falha terapêutica. Contraceptivos hormonais: usado nos casos de desejo de contracepção ou contraindicação para o uso de anti-inflamatório. Nenhum contraceptivo mostrou superioridade sobre o outro, podendo ser usado contraceptivos combinados ou de progestagênio isolado, injetáveis, implante liberador de etonogestrel e o sistema intrauterino de levonorgestrel. A dismenorreia secundária deve ser considerada na ausência de resposta ao tratamento clínico adequado e mantido por três a seis meses. Tratamento cirúrgico: realizado em pacientes com suspeita de dismenorreia secundária que não evidenciaram alterações em exame de imagem. Nesses casos a via laparoscópica deve ser utilizada, tendo em vista os benefícios da abordagem minimamente invasiva.

Outros artigos