O BEBÊ VOMITOU DE NOVO!

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Quando o REFLUXO vira doença?

O refluxo gastroesofágico (RGE) é caracterizado pelo retorno involuntário do conteúdo gástrico para o esôfago, com ou sem vômitos ou regurgitação. Ele pode ocorrer várias vezes por dia sem ser considerado doença.
Em crianças menores de 1 ano de idade é uma situação frequente, e geralmente benigna, causada pela imaturidade de mecanismos da barreira anti-refluxo. Afeta até 60% de todos os lactentes e se apresenta antes de oito semanas de vida, atingindo um pico entre dois e quatro meses. Acaba diminuindo progressivamente com o crescimento, sendo que 90% a 95% dos casos resolvem-se espontaneamente até o primeiro ano de vida. Esse processo é chamado de fisiológico.
Nesses casos, o lactente é saudável e pode ser considerado um “vomitador feliz”, pois, apesar dos vômitos, cresce e se desenvolve adequadamente com ganho ponderal adequado.
Por outro lado existe o RGE patológico ou doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), que é quando o problema impacta negativamente o ganho de peso da criança, associando-se a outros sintomas como dor abdominal, irritabilidade, dificuldade na mamada, pneumonias ou otites de repetição.
A diferenciação entre o RGE fisiológico e o patológico é importante para evitar exames desnecessários e tratamentos inadequados. O diagnóstico é essencialmente clínico. Os exames complementares servem apenas para descartar outras patologias como por exemplo, alterações anatômicas.
Algumas medidas comportamentais podem ajudar a aliviar os sintomas como: não vestir o bebê com roupas ou fraldas apertadas, evitar uso do bebê conforto em excesso (apenas para transporte), visto que isso também causa aumento da pressão abdominal, manter o bebê em posição vertical de 20 a 30 minutos após as mamadas, dormir de barriga para cima e com a cabeceira elevada e ainda evitar a hiperalimentação.
Crianças que mamam no peito devem permanecer em aleitamento materno, porém na impossibilidade do aleitamento materno o uso de fórmulas AR (anti-regurgitação) pode ser útil por serem mais espessadas.
Nos casos de DRGE, levando em consideração que cerca de 40% dos casos pode ser secundário da alergia à proteína do leite de vaca (APLV), preconiza-se a exclusão deste diagnóstico antes de progredir com a investigação.
O uso de medicações é a última opção de tratamento. Neste caso, a medicação de escolha são os inibidores de bomba de prótons (IBPs), mas, sempre usados com cautela e por curto período de tempo devido aos efeitos colaterais.

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