
Obesidade e emagrecimento: O papel das emoções e a importância do atendimento médico personalizado

Drª. Tamila Lima
CRM/RS 47452
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Quando o corpo fala o que a balança não mostra
Um distúrbio invisível, mas real
Por trás de dores, inchaços e acúmulo de gordura em regiões específicas, como pernas, quadris e braços, pode estar o lipedema, e não a obesidade.
Trata-se de uma condição médica crônica e inflamatória, que acomete quase exclusivamente mulheres e ainda é pouco reconhecida, inclusive entre profissionais de saúde.
Estudos estimam que até 11% das mulheres possam apresentar algum grau dessa alteração, frequentemente confundida com sobrepeso.
Mais que estética: uma questão metabólica e inflamatória
O lipedema é caracterizado pelo acúmulo anormal e simétrico de gordura, geralmente da cintura para baixo.
É acompanhado por dor, sensibilidade, hematomas frequentes e sensação de peso nas pernas.
Mesmo com dietas e exercícios, a gordura permanece — e isso não significa falta de esforço. As células afetadas têm um comportamento metabólico diferente, com resistência à quebra de gordura, alterações na microcirculação e prejuízo do sistema linfático, o que explica a persistência do volume corporal.
Um dos grandes desafios é o erro de interpretação: o lipedema é comumente confundido com retenção de líquidos, celulite ou obesidade.
Mas há sinais que ajudam na identificação:
1. Pernas que incham e pesam ao longo do dia.
2. Marcas de roupa que demoram a desaparecer.
3. Hematomas que surgem sem motivo aparente.
4. Dieta que funciona no rosto e tronco, mas nunca nas pernas ou braços.
Esses indícios mostram que algo além da estética pode estar acontecendo.
Muitas mulheres passam anos acreditando que “o corpo não responde”, quando na verdade convivem com uma doença que requer diagnóstico e acompanhamento adequados.
Descrito pela medicina desde 1940, o lipedema ainda é subdiagnosticado, o que atrasa o tratamento e agrava sintomas físicos e emocionais.
Segundo Langendoen et al., Journal of Plastic Surgery (2021), a detecção precoce é essencial para evitar a progressão e restaurar a qualidade de vida.
Diagnóstico e novas abordagens terapêuticas
O diagnóstico é clínico, realizado por um médico capacitado, atento à história e às características físicas da paciente.
A abordagem moderna combina avaliação metabólica, bioimpedância e exames de imagem, além de excluir causas secundárias como o linfedema.
As novas tendências terapêuticas unem medicina personalizada, controle metabólico e fisioterapia linfática, associadas ao uso criterioso de medicamentos que modulam inflamação e circulação.
Recursos como o ultrassom diagnóstico e o acompanhamento metabólico permitem monitorar a evolução e ajustar condutas de forma precisa e segura.
Mais do que estética, o lipedema impacta autoestima, mobilidade e qualidade de vida.
Reconhecer a condição é um ato de cuidado e respeito com o próprio corpo.
Quanto antes a mulher entende os sinais, mais cedo pode retomar o equilíbrio, aliviar sintomas e viver com leveza.
O lipedema não está na balança — está na ciência e no olhar atento de quem entende que o corpo fala antes dos números.
Referências
1. Langendoen, S. I. et al. Lipedema: from clinical presentation to therapy. Journal of Plastic Surgery, 2021.
2. Herbst, K. L. Rare Adipose Disorders (RADS) and Lipedema: Advances in Diagnosis and Treatment. International Journal of Obesity, 2023.
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